terça-feira, setembro 27, 2011

Para além das platibandas... (final)

Nessa postagem, visitaremos alguns dos muitos ornatos utilizados nas platibandas, na cidade de Belém: molduras, azulejos, elementos vegetalistas, elementos geométricos.
Platibanda com molduras, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com azulejos, na Rua Ângelo Custódio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com azulejos, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com molduras, guirlanda, data, concha e ornatos vegetalistas,
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com ornamentos vegetalistas e um mascarão, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com ornamentos vegetalistas, concheados, máscaras e data,
na Av.16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Platibanda com entrelaçados, concha e volutas, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com elementos geométricos, na Rua Gaspar Viana, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com elementos geométricos, semelhantes a gregas, 
na Rua 16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Em alguns casos, as platibandas servem de base a: estátuas, acrotérios, bolas, pinhas e vasos.
Estátua sobre a platibanda, na Travessa Félix Roque, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Bustos e rendilhados sobre a platibanda, na Av. 16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Acrotério de canto, palmeta, sobre a platibanda, 
no Boulevard Castilhos França, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Bolas sobre a platibanda, na Rua Siqueira Mendes, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Pinhas e vasos sobre a platibanda com balaústres, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Em algumas situações, as platibandas são encimadas por frontões com tipologias geométricas variadas: retangulares, curvos, com a parte superior em arco, sob a forma de medalhões, ou mesmo triangulares.
Esses frontões são ornamentados com os mais diversos elementos: brasões, monogramas, cabeças de animais ou humanas, máscaras, ornatos vegetalistas, datas.
Frontão retangular, com ornatos vegetalistas, sobre platibanda, 
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Frontão triangular, com ornato vegetalista, sobre platibanda, 
na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo, com ornatos vegetalistas e volutas, sobre platibanda, 
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo, com ornatos vegetalistas, cabeça e painel azulejado, 
sobre platibanda com balaústres, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo sobre platibanda rendilhada, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Frontão curvo sobre platibanda rendilhada, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Seria pretensioso querer esgotar o assunto - platibanda e seus ornamentos - com algumas imagens e pequenos textos. Propusemo-nos, na verdade, a observar alguns dos inúmeros exemplos existentes nas edificações da cidade, e seus ornamentos, que as particularizam. Essa observação, levou-nos a reuni-los, sistematicamente, em grupos, a partir de suas características predominantes, e aqui apresentá-los, entretanto o tema merece pesquisas detalhadas.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Para além das platibandas... (1)

A utilização das platibandas nas edificações em Belém foi uma recomendação do Código de Posturas implantado pelo intendente Antônio Lemos na passagem para o século XX. Sua função era encobrir as calhas que coletam as águas pluviais, intensas na capital paraense, e, consequentemente, os telhados. Seu uso era uma obrigatoriedade não apenas para as novas edificações, mas para todas que passassem por reformas.
Seção de uma platibanda
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

As platibandas podem ser vazadas ou não, lisas ou ornadas com elementos em relevo.
As platibandas vazadas podem ter formas geométricas ou ser uma sequência de balaústres. Em geral, as que utilizam a balaustrada, dividem-na com painéis, esses são lisos ou ornados.
Platibanda com elementos vazados intercalados com painéis,
na Travessa Campos Sales, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com rendilhado, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com rendilhado, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibandas com balaustradas intercaladas com painéis, na R. 28 de setembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com balaustradas intercaladas com painéis, na Rua 28 de setembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

As platibandas não vazadas são lisas ou ornadas com molduras ou elementos figurativos ou geométricos em relevo.
Platibanda lisa, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda lisa, na Rua Gaspar Viana, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Dada a variedade de exemplares de platibandas e a fim de evitar o excesso de informações, optamos por dividir o assunto em duas postagens.
Na próxima postagem, serão abordados os ornatos utilizados com mais frequência nas platibandas.

sábado, setembro 17, 2011

Um sobrado landiano?

Na confluência da Rua Conselheiro João Alfredo com a Travessa Frutuoso Guimarães, bairro do Comércio, está implantado um sobrado do século XVIII com dois pavimentos, cuja autoria de seu projeto arquitetônico seria do arquiteto italiano Antônio Landi. Esse é um dos três sobrados atribuídos ao artista por Donato Mello Júnior [1] e pertencentes a ricos proprietários de terra do Pará. Esse em tela pertenceu a Manuel Raimundo Alves da Cunha. Das três edificações, existem apenas os desenhos de fachada realizados por José Joaquim Codina, desenhista da Viagem Philosophica, de Alexandre Ferreira, e que estão arquivados na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, integrando a Coleção Alexandre Rodrigues Ferreira.
Pela classificação do historiador português Carlos de Azevedo [2], o edifício é do tipo “casa comprida”, de planta simples e retangular, com fachada desenvolvida em comprimento, equilibrada e simétrica, com a entrada principal servindo de eixo da composição e marcada pela repetição de portas e janelas.
Sobrado de Manuel Raimundo Alves da Cunha, desenho de J. J. Codina
Fonte: MENDONÇA, Isabel, 2003, p. 513
O sobrado abrigou, no século XIX, no segundo andar, o Hotel Central e, no piso inferior, alguns estabelecimentos comerciais como a loja Restaurador e a famosa Tabacaria e Livraria Alfacinha, conhecida pela produção e comercialização de cartões postais.
 Rua Conselheiro João Alfredo, em primeiro plano o Hotel Central
Fonte: Belém da Saudade, p.206
Tanto o desenho de Codina, como o postal visto acima, mostram a fachada com nove aberturas, entre portas e janelas, hoje, entretanto, são vistos apenas sete módulos na composição.
Fachada do sobrado voltada para a Rua João Alfredo, com sete, dos nove vãos de janelas originais
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
O desenho conhecido é referente à fachada voltada para a Rua João Alfredo, porém o mesmo também possui fachada para a Travessa Frutuoso Guimarães, pois, como dito anteriormente, é um edifício localizado na esquina de duas vias.
Fachada do sobrado voltada para a Travessa Frutuoso Guimarães
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Hoje, a edificação tem ainda preservadas as características gerais da fachada, em particular, os ornamentos do piso superior, porém o inferior foi bastante alterado: vãos de portas foram aumentados e molduras e frontões suprimidos.
 Uma das portas do sobrado, ainda mostrando as molduras e o frontão, hoje não mais existentes
Fonte: Belém da Saudade, p.211
Vista do sobrado e parte da Rua João Alfredo
Fonte: http://albumdosjuvencios.blogspot.com/2010_12_01_archive.html
As janelas do piso superior ainda apresentam as características de molduras preservadas. Todas marcadas por pilastras nas laterais e variando as cabeças dos pilares entre tríglifos ou placas de volutas convergentes.
Mostram frontões do tipo em arco e triangular, ambos com segmentos de retas nas laterais, tipologia bastante utilizada pelo arquiteto Landi em seus projetos.
Todos os frontões de janelas apresentam, no centro, um elemento ressaltado, recurso comum na obra do arquiteto. Há, agregados aos frontões: volutas, conchas, gotas e tríglifos.
Detalhe de uma das janelas do pavimento superior com frontão em arco e segmentos de retas nas laterais
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Detalhe da janelas do pavimento superior com frontão triangular e segmentos de retas nas laterais. Essa janela foi, na fachada voltada para a Rua João Alfredo, aquela localizada no centro da composição
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
No desenho de Codina e no postal referido anteriormente, as vergas das portas eram em arco abatido, hoje, entretanto, são todas retas.
Detalhe de uma das portas do pavimento inferior
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Originalmente, as plantibandas não existiam, foram adicionadas posteriormente, já no século XIX e são coroadas com pequenas flores marcando a modulação da fachada.
Detalhe de platibanda com elemento floral 
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
__________
[1] MELLO Júnior, Donato. Antônio Landi. Arquiteto de Belém. Belém: Governo do Estado do Pará, 1973. “não paginado”
[2] Carlos de Azevedo é autor do livro Solares Portugueses (Lisboa: [s.n.], 1969), que é obra de referência a respeito da casa nobre portuguesa.

terça-feira, setembro 06, 2011

O quartel dos soldados

O local hoje conhecido como Praça da Bandeira (já denominada Praça Saldanha Marinho), viu ser erguido, no século XVIII, sob o risco do italiano Antônio Landi, o Quartel de Soldados. O projeto para essa edificação faz parte dos álbuns com os desenhos para o Palácio dos Governadores, cujos dois exemplares conhecidos estão arquivados: um na Biblioteca Nacional de Lisboa e o outro no Arquivo Gonçalo de Vasconcelos e Sousa, no Porto, ambos em Portugal.
 
Desenho de Antônio Landi para o Quartel dos Soldados: vista principal e planta baixa
Fonte: www.forumlandi.ufpa.br
Conforme descrição de Antônio Baena, em seu Compêndio das Eras da Província do Pará (1969, p. 194), esse prédio teria um pavimento. Uma gravura de Joseph Léon Righini [1] do século XIX sugere, entretanto, a existência de um segundo pavimento. Nessa gravura é possível ver três obras em que Landi colaborou: o referido Quartel dos Soldados, a Catedral da Sé e parte da cobertura do Palácio Lauro Sodré. Além desses edifícios, são vistos: no centro da imagem, o Lyceu Benjamin Constant (atual Colégio Paes de Carvalho) e a lateral do Palácio Antônio Lemos, edificações do século XIX.
Largo do Quartel, na segunda metade do século XIX, segundo Joseph Léon Righini
Fonte: http://www.ufpa.br/cma/imagens.html
Praça da Bandeira - cartão postal do início do século XX, à esquerda o Quartel dos Soldados
Fonte: Belém da Saudade. Belém: SECULT, 1996, p.183
Aproximadamente na área onde existiu o Quartel dos Soldados, foi construído, no início do século XX, o imponente prédio do Quartel General que abriga, hoje, o Comando da 8ª Região Militar e 8ª Divisão do Exército.
A fachada do edifício apresenta uma profusão de elementos ornamentais dos quais podemos destacar o que se segue. Vale ressaltar que a mais recente pintura do prédio permitiu que esses elementos fossem ressaltados.
O frontão da edificação é em forma de arco segmentado e apresenta uma composição de elementos como canhões, balas, lanças e flâmulas. A composição tem ao centro uma figura feminina sobre o Brasão de Armas do Brasil.  Abaixo do frontão há a inscrição Quartel General ladeada pilastras sobre as quais há mascarões e elementos pendentes. Logo abaixo dessa inscrição, há uma sequência de mísulas que marca toda a extensão da fachada.
 Detalhe do frontão da edificação
Fonte: Domingos Oliveira, Jul/201
A imponente porta principal em arco pleno tem ao centro uma cartela com a data de construção do edifício, formada por motivos vegetalistas, sobre uma cabeça feminina, elemento recorrente nessa fachada.
Na lateral da moldura, há volutas e elementos pendentes. A grade que fecha a bandeira da porta é composta de elementos avolutados. Ladeando a porta há colunas destacadas de seção circular coroadas por capitéis compósitos. A coluna tem caneluras, a aproximadamente um quarto da base.
 Detalhe da porta da edificação
Fonte: Domingos Oliveira, Jul/201
As janelas do piso superior têm vergas em arco pleno e as do piso inferior, retas e alternam balaustradas ou gradis de ferro fundido. Assim como no setor central, há no topo dos laterais: canhões, balas e elementos vegetalistas.
Os capitéis das pilastras apresentam volutas, cabeças femininas e elementos vegetalistas e pendentes.
Assim como a já citada sequência de mísulas, esses elementos são utilizados inúmeras vezes ao longo da fachada.
 Detalhe da parte superior lateral da fachada
Fonte: Domingos Oliveira, Jul/2011
 Detalhe da parte inferior lateral da fachada
Fonte: Domingos Oliveira, Jul/2011

[1] A litogravura faz parte do álbum Panorama do Pará em Doze Vistas, de J. L. Righini, que pode ser visualizado no site do Centro de Memória da Amazônia, http://www.ufpa.br/cma/imagens.html. Segundo Mello Júnior (1973, n.p.), uma reprodução da mesma imagem faz parte do Catálogo da exposição cartográfica e iconográfica comemorativa do V centenário do nascimento de Pedro Alvares Cabral, Descobridor do Brasil, Lisboa, 1968, il.

terça-feira, agosto 09, 2011

A Pintura de Quadratura da Igreja de São João Batista

A quadratura - pintura em perspectiva ilusionista - existente na capela-mor da Igreja de São João Batista, na Cidade Velha, em Belém, faz parte do projeto desenvolvido pelo arquiteto italiano Antônio Landi para essa edificação, com forte inspiração na quadratura bolonhesa setecentista.
Juntamente com as existentes nos altares laterais da mesma igreja, são os únicos exemplares na técnica conhecidos no Pará. Apesar de que é possível também classificar como quadratura a pintura do altar-mor da Capela da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, exemplar ainda necessitando de ser estudado.
Estado atual da obra
Foto: Domingos Oliveira, 2011

A pequena ermida, considerada pelo historiador da arte Germain Bazin, uma jóia da arquitetura [1], foi construída na segunda metade do século XVIII.
Ao comparar com o desenho deixado pelo arquiteto e arquivado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, é possível perceber, pela ausência de maiores áreas de contrastes, o quanto foi perdido no que diz respeito aos efeitos de profundidade, sugeridos pelos vários planos que compõem a pintura.
Desenho para a pintura de quadratura do altar-mor, de Antônio Landi
Fonte: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Esta postagem tem o propósito de olhar, em detalhes, a obra, recuperada em 1996, e que, durante muitos anos, esteve encoberta por um retábulo em estilo neogótico.
Altar-mor antes da reforma
Foto: José de Paula Machado e Nelson Monteiro

A profusão de ornamentos exige do observador uma atenção maior de tal forma a que os múltiplos detalhes sejam percebidos.
A pintura está dividida, horizontalmente, em três setores.
O setor superior, um frontão triangular, é coroado por uma cruz latina, com volutas que convergem em sua direção. Das volutas, partem guirlandas de flores e folhas em direção a outro par de volutas sobre o frontão triangular.
O corpo central possui uma pomba representando o Espírito Santo, no centro de um resplendor entre nuvens.
Lateralmente ao corpo central do retábulo, existem, em ambos os lados, espécie de aletas composta por volutas. Sobre a voluta inferior, há um vaso com flores.
Ladeando essa composição, há duas pilastras cujas bases são formadas por um conjunto de folhas de acanto sob a forma de um bulbo e capiteis constituídos de uma placa com volutas convergentes. O fuste da pilastra é decorado com elementos vegetalistas pendentes.
Ainda ladeando o conjunto, há outros pares de volutas compondo aletas, sendo a voluta inferior repousada sobre pedestal coberto com folhas de acanto.
Toda essa composição está executada em primeiro plano mas é possível vislumbrar outro plano além desse.
Detalhe do trecho superior do altar-mor
Foto: Domingos Oliveira, 2011
Lateralmente à composição do frontão, há parapeitos com sequência de balaústres. Esse detalhe reforça a profundidade da cena ao mostrar uma espécie de porta envidraçada que sugere outro plano.
Detalhe da balaustrada nas laterais do frontão do altar-mor
Foto: Domingos Oliveira, 2011

O segundo setor da composição tem, no centro, uma moldura, antes, suporte de uma tela, hoje, substituída por uma imagem de São João Batista. A moldura atual não possui os ornamentos do projeto de Landi, porém mantém o desenho da parte superior - arco ladeado por segmentos de retas. Aqui, chama a atenção, o detalhe geométrico dos cantos da base da moldura, tratamento que pode ser encontrado em outros trabalhos de Landi: a sobreposição de um quadrado aos cantos.
Detalhe do altar-mor com a imagem de São João Batista no espaço antes ocupado por uma tela
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Apoiam o frontão, duas colunas com capitel jônico, marcadas por espécie de cinta localizada a um terço da base. O fuste das colunas é estriado. Guirlandas de flores e folhas pedem das volutas dos capiteis.
Nas laterais do retábulo, na altura da imagem de João Batista, há vasos com flores sobre pedestais com elementos avolutados, em nichos vazados, que, mais uma vez, sugerem a profundidade ilusória da composição. Acima de cada um dos vasos, há uma cartela de aconcheados com uma cabeça no topo.
Detalhe do trecho lateral do altar-mor
Foto: Domingos Oliveira, 2011

A área correspondente à base da composição é simples e composta de figuras retangulares e quadrangulares pintadas na cor verde com molduras simples, ao contrário do desenho de Landi, que apresenta ornamentos como cartelas e elementos pendentes.
Nas paredes laterais da igreja, há um altar de cada lado como mostra o detalhe do desenho de Landi a seguir. No projeto, não há indicação de qualquer pintura para esses altares, apenas a moldura, aliás bem mais elaborada que a existente.
Detalhe do desenho da seção longitudinal da igreja
Fonte: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil

Estão presentes nas laterais, pinturas, bem mais simples que a do altar-mor, e que remetem a essa composição e apresentam características semelhantes, como a paleta de cores. Elementos ornamentais, como vasos e volutas, e o espaço emoldurado para telas estão presentes no conjunto.
Capela lateral da nave da igreja
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Detalhe do trecho superior de um dos altares laterais
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mais detalhes podem ser encontrados nesses três trabalhos landianos. Era nosso objetivo fazer uma análise dos ornamentos dos conjuntos de forma detalhada sem querer obviamente esgotar o assunto.
Para maiores detalhes sobre a Igreja de São João ler o artigo no link a seguir:  http://www.revistamuseu.com.br/naestrada/naestrada.asp?id=3947
__________________
[1] O autor [Germain Bazin] simpatiza-se [...] com a Igreja de São João, classificando-a de joyau d´architectur, est le chef d´oeuvre de Landi, a obra é citada no item 99 em MELLO Júnior, Donato. Bibliografia Comentada. In: Antonio José Landi, Arquiteto de Belém. Rio de Janeiro: 1972.


quinta-feira, agosto 04, 2011

Capela Pombo - o vídeo

Nesta postagem, um pequeno video feito recentemente na Capela Pombo, localizada no centro histórico de Belém, no Pará, e tema das duas postagens anteriores. O tempo passa e o monumento vai cada vez mais se deteriorando.
A trilha sonora faz parte do “Ritual da Sagrada e Real Ordem Militar de N. S. das Mercês, da Redenção dos Cativos, para uso dos frades da mesma ordem, residentes na Congregação do Pará, por mandado do R. P. Pregador Frei João da Veiga, Comendador da mesma ordem, na cidade do Pará”[1] escrito totalmente em latim.
A obra, impressa em Lisboa em 1770, por tanto tempo desconhecida, retornou ao conhecimento do Pará, pelo historiador Vicente Salles, em 1992. Contém exemplos do que se cantava nas principais festas realizadas no Grão-Pará pelos mercedários. Além das partituras, há regras de como cantar e celebrar os ofícios religiosos, conforme as leis canônicas, além de descrições minuciosas das festas e dos ritos. Seu compilador foi o cantochanista Frei João da Veiga.

[1] No original: Rituale/Sacri, Regalis, AC Militaris Ordinis/B.V.Mariæ de Mercede/Redemptionis Captivorum,/ad usum /fratrum ejusdem ordinis/in Congregatione Magni Paraensi commorantium,/Jussu/R.P.Prædicatoris Fr.Joannis da Veiga/in Civitate Paraensi ejusdem Ordinis Commendatoris ela-/boratum, & lucem editum./