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terça-feira, janeiro 31, 2012

Máscaras e mascarões


A figura humana foi, e é, o objeto favorito de representação na arte. quer sob a forma de deuses, seres venerados, figuras  imaginárias.
O corpo humano é, muitas vezes, representado sem qualquer significado e apenas como ornamento por conta da beleza da forma.


Esta postagem e as seguintes têm como objetivo mostrar o que se tem nas fachadas de algumas edificações de Belém quando o tema é a figura humana.


A cabeça humana, isolada do resto do corpo, tem sido utilizada sob duas formas: a primeira, de forma mais ou menos fiel à natureza ou idealizada – a máscara - e a segunda – o mascarão - com face sorridente ou cheia de deformações ou distorções, estranhas combinações de formas humanas com formas de animais ou plantas e com caráter fantástico ou grotesco. Os mascarões, além da figura humana, também aparecem com cabeças de animais.
Ambas são utilizadas na ornamentação de edificações (frontões, arcos de portas e janelas, mísulas, platibandas, azulejos), nos objetos, como adorno (chaves, utensílios domésticos), bem como em fontes, chafarizes e carrancas de pedra.
A máscara, na origem do termo, é um rosto oco e artificial e destinada a esconder a expressão humana, a fim de tornar quem a usa, irreconhecível, ou para caracterizá-lo de alguma forma especial. A utilização das máscaras provém da Grécia, dos jogos da colheita e desses foram transferidas para o teatro, em que os atores apareciam mascarados. Diferentes tipos de máscaras são identificados: trágica, cômica, ligadas ao caráter das pessoas. De teatrais, as máscaras passaram à utilização artística, por exemplo, nas pinturas murais de teatros e edifícios seculares, vasos das Bacantes e outros utensílios. O Renascimento e os estilos seguintes empregaram máscaras na decoração, alterando e exagerando as formas.


Em Belém, máscaras e mascarões podem ser encontrados nas fachadas de algumas edificações como os exemplos a seguir.


Máscara, Av. XV de novembro, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011


 
Máscaras, Rua Gaspar Viana, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Máscaras, Av. Presidente Vargas, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Máscara, Teatro Waldemar Henrique, Praça da República, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mascarão, Rua 28 de setembro, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mascarão, Av. Nazaré, Nazaré, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mascarão, Rua Dr. Malcher, Cidade Velha, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mascarão, Rua João Diogo, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Mascarões, Rua 28 de setembro, Campina, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011

Marcarão, Av. Generalíssimo Deodoro, Nazaré, Belém, Pará
Foto: Domingos Oliveira, 2011
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Fonte: OLIVEIRA, Domingos Sávio de Castro. O vocabulário ornamental de Antônio José Landi: um álbum de desenhos para o Grão Pará. 2011. 227 p. Dissertação (Mestrado em Artes). Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará, Belém, 2011.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Ornamentos da saudade I


Continuando a olhar para o Cemitério da Soledade, localizado no centro da cidade de Belém, esta postagem, e a seguinte, têm por objetivo verificar alguns dos muitos ornamentos existente nessa necrópole e descrevê-los.
Venha comigo!
Vale a pena.

O ACROTÉRIO, do grego, elemento mais elevado, é o recurso que serve como arremate ornamental para o ponto mais alto de um frontão. O acrotério de canto, ou angular, é usualmente encontrado nas extremidades inferiores dos frontões triangulares. Utilizados, primeiramente, na arquitetura da Antiguidade Clássica, foi utilizado também como elemento ornamental de urnas funerárias e sarcófagos.
A forma mais comum de acrotério é o vegetalista, mas é possível encontrar vasos, bolas, globos, prismas facetados, pinhas, animais fantásticos e até estatuetas humanas. Os exemplos encontrados no Soledade apresentam, predominantemente, elementos vegetalistas como os mostrados a seguir.

A AMPULHETA simboliza a passagem do tempo de vida. Às vezes é associada a um par de asas, símbolo de que a existência humana é fugaz, e que irá se esgotar. Nos exemplos a seguir, ampulheta e par de asas compõem com duas armas cruzadas, o conjunto.

A representação das ÁRVORES é larga na simbologia cemiterial. Conforme a situação em que é vista, trazem significados específicos da cultura e crença do falecido. Uma árvore com galhos cortados, como a da imagem, representa a morte precoce; uma árvore brotando, a vida eterna.


A FOLHA MONTANTE (ou flor montante) também denominada cogulho indica um pequeno elemento ornamental esculpido de pedra representando folhas estilizadas, de uso comum na arquitetura do estilo gótico. Estes elementos encurvados e retorcidos brotam em repetição, e são colocados à mesma distância um do outro, principalmente para rematar arestas de pináculos e arcos. Nos exemplos a seguir, folhas montante estão aplicadas nos acabamentos das coberturas de mausoléus e, no primeiro exemplo, também no pináculo lateral.


Frutos, folhas e flores podem ser agrupados sob as formas de GUIRLANDAS e de FESTÕES. As primeiras, de forma circular, podem ser arrematadas com fitas, enroladas ao longo do círculo ou compondo laços. Os festões podem ser compostos pendentes nas extremidades, sob a forma de curvas, ou em apenas uma das extremidades. São comuns ao estilo Românico e têm sua origem ligada aos festões de frutos verdadeiros utilizados como decoração sobre os frisos de templos. Foi revivido pela Renascença em formas mais ou menos modificadas nos edifícios e túmulos religiosos e esteve presente em estilos posteriores. A forma do ornato sugere movimento e ritmo e o conjunto de flores e frutas pode ser substituído por tecidos ou drapeados. Nos exemplos a seguir, é possível ver na imagem superior central, um festão pendente e arrematado com uma espécie de botão e laço de fita, as demais, são guirlandas. Chama a atenção, a guirlanda, inferior à esquerda, formada somente por folhagens, em cuja composição, as folhas da esquerda são de acanto e as da direita, de louro.

A FIGURA HUMANA foi, e é, objeto favorito de representação na arte. Poderes sobrenaturais, deuses, seres venerados, são representados sob a forma humana. O corpo humano é, muitas vezes, representado sem qualquer significado e só decorativamente por conta da beleza da forma.
Figuras humanas são comuns à arte cemiterial, sejam elas sob a forma de santos ou de anjos, sendo os últimos com grandes variações: de corpo inteiro ou apenas cabeças aladas.
Nos exemplos a seguir, é possível ver, respectivamente: à esquerda uma imagem de Nossa Senhora da Conceição e à direita uma figura feminina com uma criança no colo.

Os três exemplares abaixo mostram ANJOS com grandes asas abertas. O central, diferente dos demais, está sentado e tem a seus pés, um crânio.

CABEÇAS DE ANJOS aladas são comuns à arte cemiterial e, neste campo santo não é diferente. Na imagem a seguir, destaque-se àquela mais à esquerda, cabeça de anjo alada e com elementos vegetalistas na parte superior do conjunto. A imagem mais à direita é uma cabeça de Cristo aplicada no friso de um mausoléu.

O LEÃO indica proteção ao túmulo em que estiver aplicado. Remete também à coragem e determinação das almas dos entes cujos corpos ali repousam. O exemplo mostra quatro leões deitados e servindo de base ao mausoléu.

A máscara, na origem do termo, é um rosto oco e artificial destinado a esconder a expressão humana, a fim de tornar quem a usa, irreconhecível, ou para caracterizá-lo de alguma forma especial. A utilização das máscaras provém da Grécia, dos jogos da colheita e desses foram transferidas para o teatro. As máscaras são, geralmente, fiéis à natureza ou idealizam-na; já os MASCARÕES são faces sorridentes, deformadas, distorcidas por acessórios ou terminando em folhagens. O exemplo, a seguir, mostra um mascarão sobre a porta de um mausoléu. Olhos, nariz e boca e folhagens compõem o ornato, encimado por um elemento vegetalista.

Os OBELISCOS são pilares altos, monolíticos em forma de paralelepípedo, estreitando-se no alto e terminando em pirâmide. É um símbolo religioso egípcio que foi usado como ornamento arquitetônico no Renascimento em dimensões reduzidas, frequentemente, junto com as volutas, sobre os frontões dos edifícios. São utilizados também isolados, como os três exemplos a seguir, marcando um túmulo. Têm, em geral, em suas faces, ornatos. Nos exemplos, há elementos vegetalistas, uma cruz e um manto.

Os CAPITÉIS, elementos que coroam os pilares, aqui estão presentes em grande número e nas mais variadas forma, desde citações aos clássicos dórico, jônico e coríntio, como variações do tema, sejam eles com elementos geométricos, vegetalistas, faunísticos.



Todas as imagens: Domingos Oliveira, 2011
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Fontes:

OLIVEIRA, Domingos Sávio de Castro. O vocabulário ornamental de Antônio José Landi: um álbum de desenhos para o Grão Pará. 2011. 227 p. Dissertação (Mestrado em Artes). Instituto de Ciências da Arte da Universidade Federal do Pará, Belém, 2011.





terça-feira, setembro 27, 2011

Para além das platibandas... (final)

Nessa postagem, visitaremos alguns dos muitos ornatos utilizados nas platibandas, na cidade de Belém: molduras, azulejos, elementos vegetalistas, elementos geométricos.
Platibanda com molduras, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com azulejos, na Rua Ângelo Custódio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com azulejos, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com molduras, guirlanda, data, concha e ornatos vegetalistas,
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com ornamentos vegetalistas e um mascarão, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com ornamentos vegetalistas, concheados, máscaras e data,
na Av.16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Platibanda com entrelaçados, concha e volutas, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Platibanda com elementos geométricos, na Rua Gaspar Viana, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Platibanda com elementos geométricos, semelhantes a gregas, 
na Rua 16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Em alguns casos, as platibandas servem de base a: estátuas, acrotérios, bolas, pinhas e vasos.
Estátua sobre a platibanda, na Travessa Félix Roque, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Bustos e rendilhados sobre a platibanda, na Av. 16 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Acrotério de canto, palmeta, sobre a platibanda, 
no Boulevard Castilhos França, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Bolas sobre a platibanda, na Rua Siqueira Mendes, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Pinhas e vasos sobre a platibanda com balaústres, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Em algumas situações, as platibandas são encimadas por frontões com tipologias geométricas variadas: retangulares, curvos, com a parte superior em arco, sob a forma de medalhões, ou mesmo triangulares.
Esses frontões são ornamentados com os mais diversos elementos: brasões, monogramas, cabeças de animais ou humanas, máscaras, ornatos vegetalistas, datas.
Frontão retangular, com ornatos vegetalistas, sobre platibanda, 
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 
Frontão triangular, com ornato vegetalista, sobre platibanda, 
na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo, com ornatos vegetalistas e volutas, sobre platibanda, 
na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo, com ornatos vegetalistas, cabeça e painel azulejado, 
sobre platibanda com balaústres, na Rua Santo Antônio, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
Frontão curvo sobre platibanda rendilhada, na Rua 15 de novembro, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011
 Frontão curvo sobre platibanda rendilhada, na Rua Dr. Malcher, Belém, Pará
Fonte: Domingos Oliveira, 2011

Seria pretensioso querer esgotar o assunto - platibanda e seus ornamentos - com algumas imagens e pequenos textos. Propusemo-nos, na verdade, a observar alguns dos inúmeros exemplos existentes nas edificações da cidade, e seus ornamentos, que as particularizam. Essa observação, levou-nos a reuni-los, sistematicamente, em grupos, a partir de suas características predominantes, e aqui apresentá-los, entretanto o tema merece pesquisas detalhadas.